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Birds are Windy

        instalação audiovisual
        dois vídeos em loop
        2018      

Birds are Windy coloca em relação duas imagens produzidas a partir de duas janelas: a janela em vidro martelado da cozinha de uma habitação e o para-brisas de um automóvel em movimento.

Fotograma do vídeo da janela de Birds are Windy
Janela da cozinha, filmada ao longo de vários dias.

Trabalho desenvolvido no Mestrado em Arte Multimédia — Especialização em Audiovisuais, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

01

DUAS JANELAS

interior / movimento / orientação
Luz atravessando o vidro martelado da janela
A vista altera-se com a luz, a abertura da janela e a posição de quem observa.

A primeira imagem parte de uma janela doméstica. O vidro martelado dá acesso ao exterior e, simultaneamente, impede que esse exterior se constitua como uma vista inteiramente disponível. A roupa da vizinha atravessa o enquadramento como luz e movimento; quando a janela se abre, surgem as janelas fechadas do edifício em frente.

A janela deixa de funcionar como uma superfície transparente sobre o mundo. A relação entre interior e exterior é produzida pelas variações da luz, pela abertura do caixilho e pela repetição da observação.

O segundo vídeo mostra o céu acima dos percursos pendulares. A câmara, presa ao tabliê e orientada para cima, assume o movimento do automóvel, mas exclui a estrada, a linha do horizonte e o ponto de fuga.

Sem horizonte, um trajeto conhecido deixa de confirmar a orientação do observador.

02

IMAGEM, ESPAÇO, PRESENÇA

projeção / duração / sombra

Os dois vídeos são projetados em loop, frente a frente, com entrada pela parede lateral. O vídeo do céu tem aproximadamente 12 minutos e 30 segundos, a duração média de uma deslocação diária. Os planos da janela têm durações diferentes, reduzindo a possibilidade de uma repetição cíclica do conjunto.

O céu excede os limites da parede e alcança parcialmente o teto, o chão e as paredes laterais. A janela é projetada aproximadamente à escala real. Entre as duas imagens existe uma distância mínima de seis metros: um espaço para atravessar, escolher e permanecer.

Fotograma do vídeo do céu de Birds are Windy
Céu filmado através do para-brisas, com a câmara fixa no tabliê.
Silhueta de uma pessoa projetada sobre o vídeo do céu
A presença do público interrompe a projeção.

A sombra não é uma interferência exterior ao trabalho: reinscreve o corpo no espaço que a projeção parecia oferecer apenas à visão.

03

DUAS EXPOSIÇÕES

Lisboa / 2018 / 2019
Vídeo da janela instalado na Galeria da FBAUL
Galeria da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2018.

Um Peixe Fora de Água

A primeira apresentação obrigou a instalação a responder a uma sala concreta. A relação de escala foi invertida: a janela tornou-se maior do que o céu e foi ajustada aos limites da parede. Sem uma segunda parede disponível, o céu foi projetado sobre um lençol estendido.

Galeria da FBAUL
12–15.09.2018

Birds are Windy

No Atelier de Lisboa, o vídeo do céu desdobra-se em várias projeções simultâneas de maior escala. A passagem entre projetores e superfícies abre sombras, altera a luminosidade e torna visível a posição do público.

A instalação organiza uma situação na qual observar implica mover-se entre imagens e reconhecer a própria presença no espaço.

Atelier de Lisboa
21–23.03.2019
Curadoria de Bruno Pelletier Sequeira

Vista da instalação Birds are Windy no Atelier de Lisboa
Vista da instalação, Atelier de Lisboa, 2019.
Projeções simultâneas do céu no Atelier de Lisboa
O céu distribuído pela arquitetura da sala.
04

O CÉU REGRESSA

repetição / circulação / remontagem

Em 2022, o vídeo do céu é integrado em Carpe Diem — Houdini Is Not Dead, apresentado no Maus Hábitos, Porto, nos 32.º Encontros da Imagem. Mostrado em duplicado, entra em relação com séries fotográficas produzidas a partir de tomadas de vista repetidas ao longo da Estrada Nacional 10.

O seu reaparecimento não funciona como citação de uma obra anterior. O mesmo material passa a operar dentro de outro sistema, ligando duas experiências de deslocação pendular separadas no tempo.

Maus Hábitos, Porto
22.09–30.10.2022
32.º Encontros da Imagem

Ecrãs de Carpe Diem com transparências fotográficas sobre o vídeo do céu
Transparências fotográficas aplicadas sobre os ecrãs.
Pormenor dos ecrãs de Carpe Diem
O vídeo do céu permanece visível por trás das imagens fixas.

A repetição deixa de ser apenas o tema das imagens e prolonga-se na circulação do próprio vídeo entre trabalhos e montagens.

05

REPETIR COMO TEMA

investigação / adaptação / duração

A tese de doutoramento regressa a Birds are Windy para situar a obra numa investigação mais longa sobre a observação das rotinas. Regressar aos mesmos pontos e repetir a mesma ação não é apenas o método usado para produzir as imagens: é o próprio tema do trabalho.

O movimento do automóvel liberta o olhar da posição fixa, mas retira-lhe as coordenadas que permitiriam dominar a deslocação. O esforço de adaptação aproxima a experiência de uma temporalidade ligada à duração.

Vídeo do céu projetado sobre um lençol na Galeria da FBAUL
O percurso deixa de aparecer como uma linha objetiva entre dois pontos.

A versão digital volta a reorganizar as duas janelas. A janela da cozinha permanece frontal, imóvel e única. O céu repete-se em quatro planos sincronizados, parcialmente sobrepostos e inclinados de modos diferentes.

A navegação da página torna-se uma experiência de orientação.

INVESTIGAÇÃO

Trabalho de Projeto do Mestrado em Arte Multimédia — Especialização em Audiovisuais, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Orientação de Susana de Sousa Dias.

Retomado na tese de doutoramento Carpe Diem, Houdini Is Not Dead: Fragmentação, Performatividade e Memória no movimento entre as imagens do quotidiano.