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sobre o site

Um feed é uma sequência de conteúdos que alimenta continuamente uma superfície de leitura. Não tem princípio nem fim: imagens, textos, registos sucedem-se um após outro, e o leitor percorre uma coluna que nunca termina, sem escolher a ordem por que as coisas vêm. Cada elemento é independente do anterior. O que os reúne não é uma narrativa, é a chegada.

Este site retoma esse movimento e vira-o do avesso. Aproxima-se do feed — a chegada contínua, o scroll, a acumulação — mas em vez de o obedecer, habita-o. As imagens não desaparecem na passagem: algumas voltam, deslocam-se, mudam de vizinhança, pedem para serem reconhecidas. O que num feed comercial é vício, aqui é refrão. A repetição não serve para capturar; serve para marcar território no tempo.

A esse movimento contínuo chamo o Fluxo. Não é uma secção do site — é a condição de tudo o que aqui se inscreve: as imagens, os trabalhos, os textos, as notas. Este site é, ao mesmo tempo, uma prática e uma forma de a pensar. Não documenta uma investigação sobre fotografia, paisagem e memória; é essa investigação, noutro registo.

É também o que nem o livro nem o feed permitem: uma imagem, um texto, um vídeo e uma nota podem coexistir na mesma superfície e chamar-se uns aos outros. Cada ligação é um percurso possível, e é o leitor que decide qual seguir.

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a slot machine não é só metáfora. Em 2022, selecionado para o programa curatorial dos Encontros da Imagem, propus instalar o Carpe Diem numa garagem em altura no Porto: quatro imagens quase iguais por andar, e o visitante a subir, a decifrar o que mudava de piso para piso — a mecânica da máquina transposta para o corpo e o edifício. A garagem recusou. A exposição acabou por acontecer na Maus Hábitos, no último andar de um edifício-garagem: a subida ficou, ainda que de outro modo. Fica o agradecimento ao saudoso Carlos Fontes, diretor e cofundador dos Encontros da Imagem.

sobre mim

Lisboa, 1978. Vivo e trabalho entre Lisboa e Tomar.

Sempre me interessei por palavras e imagens. Estudei Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e cheguei à fotografia quase por acidente, à procura de uma prática imediata, enraizada no mundo visual e sensível. O que começou como distração transformou-se em atenção: a fotografia tornou-se forma de investigação, série de encontros visuais com o real, e poética fragmentada. A minha prática emerge do caminhar, da observação e do regresso à quotidianidade das relações de presença no espaço. Entre fotografia, escrita e investigação artística, trabalho com luz, cor e forma enquanto modos de relação entre a experiência do espaço, a representação na imagem técnica e os efeitos dessa relação na memória.

Estudei Fotografia no Atelier de Lisboa entre 2009 e 2013, com António Júlio Duarte, Bruno Pelletier Sequeira, Federico Clavarino, Jem Southam e Paulo Catrica. Concluí o Mestrado em Arte Multimédia (especialidade Audiovisuais) na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa em 2018, com a dissertação Birds are Windy: experiência do corpo na construção do espaço quotidiano. Concluí o Doutoramento em Belas-Artes, na mesma faculdade, em 2025, com a tese Carpe Diem, Houdini is not dead: fragmentação, performatividade e memória no movimento entre as imagens do quotidiano, orientada por Susana de Sousa Dias e Eduardo Brito-Henriques.

Ensino fotografia no Atelier de Lisboa, no IADE / Universidade Europeia e no Instituto Politécnico de Tomar. Curador, com o colectivo Sala 2 / Urso Hermético, do programa dedicado ao trabalho de alunos.